Como as séries foram deixando o comportamento e passaram a ousar?  
Por , 10 de novembro de 2007 @ 2:03            

Queer as FolkHoje é normal ver no horário nobre das séries cenas de sexo quase explícitas, personagens gays já ganharam mais de um seriado só deles e as drogas viraram até título de série, e ninguém mais se choca.

Mas não muito tempo atrás tudo isso era considerado totalmente ousado. Antes de o público gay se ver representado na saidinha “Queer as Folk” e as lésbicas ganharem uma série só sua com “The L Word“, por exemplo, homossexualidade na TV era quase um tabu – numa série teen, então, nem se fala.

Até surgir “My So-Called Life“, em 1994, um seriado adolescente nunca tinha mostrado um personagem assumidamente gay. O pioneiro foi um dos melhores amigos da protagonista Angela Chase: o latino Enrique “Rickie” Vasquez (Victor Cruz).

“My So-Called Life” não parou por aí. Ainda tratou de temas como abuso sexual, alcoolismo entre jovens e adultério – até então, assuntos tabu para uma série adolescente -, além, claro, da saga de Vasquez. Abandonado pela família, ele acabou sendo adotado por seu professor de inglês, Richard, também homossexual. Bem atrevida para uma série de 13 anos atrás, né?

Não foi Rickie Vasquez, porém, quem deu o primeiro beijo homossexual em uma série adolescente. Isso só aconteceria no ano 2000, na terceira temporada de “Dawson’s Creek“. O responsável: Jack McPhee (Kerr Smith) que, apaixonado pelo colega de colégio, Ethan, resolveu se declarar a ele tascando um beijo de língua.

Homossexualidade era só um dos temas considerados polêmicos e ousados que começaram a ser tratados abertamente por um certo quarteto feminino de Nova York. “Sex & The City” hoje pode parecer quase leve perto de séries como “Nip/Tuck” ou da novata “Tell Me You Love Me”; mas em 1998, ano em que foi lançada pelo canal HBO, não era comum ver mulheres discutindo sexualidade de forma tão aberta, com direito a pormenores.

Sado-masoquismo, acessórios eróticos, sexo anal, lesbianismo… Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha falavam sobre tudo isso como quem fala sobre o tempo ou comenta o noticiário. Aliás, a ninfomaníaca Samantha nunca ficava só no papinho – e, entre outras aventuras sexuais, teve um caso com a artista plástica Maria, vivida pela brasileira Sonia Braga. Lembra?

O caso de Samantha deu o que falar, mas hoje, alguns anos depois, parece fichinha. Em 2004, surgiu uma série que não apenas falava de lesbianismo como o tinha como assunto principal: “The L Word”, que já está na sua quarta temporada e mostra abertamente histórias de relacionamentos femininos com uma naturalidade jamais mostrada antes na TV.

A mesma emissora que lançou “The L Word”, o Showtime, foi o responsável por outra ousadia: “Weeds“. Foi em “Weeds” que o tráfico de drogas deixou de ser algo restrito a uma bandidagem estereotipadamente barra-pesada. Na série, a traficante em questão é Nancy Botwin (Mary-Louise Parker), pacata dona de casa que, após ficar viúva, resolve vender maconha para manter o padrão de vida de sua família. A ousadia deu certíssimo e “Weeds” está em sua terceira temporada.

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