Adeus, Comedy Central
Há quase 14 anos, quando escrevi este post, o Comedy Central estava desembarcando no Brasil e eu tinha 15 motivos para adorar o canal, a brisa de ar fresco que ele prometia com sua chegada. Hoje, com pesar, meu relato é um adeus amargo, o qual marca o desgaste dos canais de TV por assinatura no Brasil, algo que o streaming vem matando. Aliás, vem reforçando a matança desde quando o download de conteúdo iniciou o processo, lá nos idos de 2007.

Sou um consumidor saudoso de seriados. Minha trajetória teve início quando a TV por assinatura era um espetáculo de inovações que não era possível encontrar em nenhum outro espaço. Canais como Sony, Warner, FOX, AXN e USA eram tão inovadores em matéria de séries de televisão, que qualquer um sentia-se num universo à parte a cada sintonizada numa dessas emissoras. Assim, quando mudanças drásticas tomaram conta desses lugares tão sagrados, eu busquei me apegar a qualquer outro espaço que tentou resgatar aquilo que os outros canais foram perdendo.
Propostas de retomada de memória sempre me aquecem o coração. Canais que reservam programação nostálgica para os fãs são merecedores de um award. Mas eu sei que esse público não paga mais as contas das emissoras. Vide o TBS, o Sony Spin e o Liv que tiveram suas vidas ceifadas precocemente.
Quando o Comedy Central aterrisou no Brasil, em 2012, ele trouxe um pouco da nostalgia que os anfitriões da TV paga já haviam perdido: as reprises dos seriados clássicos, aquela série despretensiosa que adoramos assistir suas reexibições ao longo do dia, assim como quem gosta dos repetecos novelescos de um “Vale a Pena Ver de Novo” ou dos dramalhões mexicanos que acontecem no vespertino. Público seriadomaníaco — como eu — também gosta de ter um slot diurno, ou até mesmo noturno, para relaxar e rever (e por que não, conhecer?) episódios para descontrair.
A TV por assinatura perdeu isso já no final dos anos 2000.
O Comedy Central teve, como proposta, entreter o seu assinante com a comédia fácil. Uma programação recheada de sitcoms da década, misturando filmes, programas de stand-up, entre outras particularidades que buscou manter o público fiel ao riso. Entre tentativa e erro, o telespectador sabia que, ao sintonizar a programação, tinha ali um programa conhecido ou uma novidade para adicionar ao seu cardápio que, eventualmente, trazia um seriado inédito como sugestão do chef.
O futuro da TV paga é (in)certo, já que o streaming vem tomando conta de como consumimos os produtos do audiovisual, logo, a comodidade de escolher por um catálogo e não ficar refém do dia e horário parece bastante satistafatório para o telespectador/consumidor. Há muito tempo a expectativa que a TV criava em quesito de programação, de novas temporadas, um episódio por semana, qual será a próxima estreia?, já não existe mais. Faz tempo…
Em breve, canais de TV convencionais já não existirão mais.
Hoje, despeço-me do Comedy Central que, por quase quatorze anos, cumpriu com o papel do entretenimento. Joias raras como “Becker“, “Frasier“, “The King of Queens“, “Hot in Cleveland“, “NewsRadio“, “Men at Work“, “The Nanny“, “3rd Rock From The Sun“, “Married… With Children“, “Are We There, Yet?“, “Dharma & Greg“, “The Exes“, “Last Man Standing“, “The Goldbergs“, “The Michael J. Fox Show“, “Two Guys and a Girl“, “The Sarah Silverman Program“, “Sabrina, The Teenage Witch“, “Kenan & Kel“, “Mr. Sunshine” fizeram parte desse percurso e me sinto agradecido pelo tempo que passaram comigo.
Obrigado! 🙂




