“The L Word”: 17 reasons why

Por , 04 de julho de 2008 @ 3:20      

Não costumo fazer reviews de "The L Word", mas dessa vez eu precisava escrever sobre o season finale. O episódio que foi ao ar pela Warner Channel no dia 23 de junho, teve um dos desfechos mais fantásticos da série, que retorna no Brasil somente em 2009 com sua 5ª temporada.

Shane e Paige

A série que, desde sua estréia (no Brasil) em 2005, mexeu muito comigo, conseguiu dessa vez arrancar um misto de emoções: revolta, alegria, tristeza e decepções. A começar pelo romance de Shane (Katherine Moennig) e Paige (Kristanna Loken), que para mim, não deveria ter acontecido da maneira como aconteceu. Eu explico por que eu penso assim: Shane era super apaixonada por Carmen (Sarah Shahi) na 3ª temporada e, mesmo depois de algum tempo juntas, planejando um casamento e um futuro, Shane, como a lenda do sapo e do escorpião, teve a capacidade de abandonar a futura companheira no altar, dando prejuízo de milhares de dólares para Helena (Rachel Shelley). E, mesmo depois de tudo que elas passaram juntas (Carmen assumiu para a família e ainda levou Shane para conhecê-los), depois da crise que atravessaram durante o relacionamento, Shane simplesmente foi embora pois não é mulher de uma mulher só. Moral da história: quem garante que Shane não fará o mesmo com Paige? As duas podem ser perfeitas juntas, mas o relacionamento delas envolve muita coisa, inclusive os sentimentos de Shay (Aidan Jarrar) e Jared (Jackson Allan).

Alice (Leisha Hailey) e Tasha (Rose Rollins) são o casal perfeito, litralmente o café-com-leite da série, uma totalmente o oposto da outra. Enquanto Tasha tem seu jeito tradicional, rude e grosseiro, Alice é delicada, sentimental e apaixonada, tão apaixonada que se sente acuada ao saber que a amada vai, mais uma vez, enfrentar uma guerra fora do país. Alice sofreu demais com a partida de Dana (Erin Daniels), o eterno amor da sua vida, sendo assim, ela merecia uma pessoa que pudesse compensar tudo aquilo que ela viveu, toda aquela dor, aquela luta pra tentar manter a vida da amada. Tasha apareceu como uma onda do mar, que não veio pra ficar (rimou!).

Jenny (Mia Kirshner) é, de fato, uma doente. Não compreendia exatamente aquelas entradas que abriam os episódios, eram todas sempre cheias de ilusões, delírios e ações sem o menor sentido. Agora eu vejo que nunca foram criadas para fazer sentido. Jenny é uma psicopata socialmente perturbada, manipuladora, calculista, fria e totalmente cheia de neuras pessoais. Tudo isso refletido numa obra literária pode render um enorme sucesso, mas sua vida particular é um verdadeiro fracasso.

Kit (Pam Grier) e Angus (Dallas Roberts) foram feitos um para o outro. Todo mundo comete erros, aquele que nunca errou, por gentileza, atire a primeira pedra. Tudo bem que nada disso justifica o que ele fez com ela, mas se ela o ama de verdade, se ela o aceitou desde o começo, ela deve uma chance para essa relação. Ele errou, percebeu, se arrependeu e está disposto a consertar, fazer dar certo. A deslocada Eva "Papi" Torres (Janina Gavankar) fez com que Kit ficasse confusa, desnorteada, acreditando que, da noite pro dia, poderia se apaixonar pela latina. Levando em consideração o histórico de Kit na 2ª temporada com Ivan (Kelly Lynch), faltava pouco para Kit mergulhar de vez no mundo lésbico de Los Angeles.

Helena e Catherine (Sandrine Holt) são duas estranhas que dividem os mesmos gostos: luxo e muito dinheiro para gastar. Só a pobre (literalmente pobre) Helena que não percebeu como Cath está usando seu raciocínio no pôquer para ficar rica e, ainda por cima, aproveitando da sua fraqueza para torná-la sua escrava sexual. Não existe um relacionamento amoroso ali, não existe sentimento de verdade, pelo menos não da parte de Catherine, que a cada episódio se mostrou mais fria. Felizmente Helena pareceu acordar para a vida e tratou de assaltar o cofre da parceira e, o que acontece a partir daí, só a 5ª temporada poderá nos dizer.

Phyllis (Cybill Shepherd) foi apresentada à Joyce (Jane Lynch), a máscula advogada que enfrentou os furiosos advogados de Tina (Laurel Holloman) na tentativa de defender Bette (Jennifer Beals) das loucuras da ex-companheira. Joyce conquistou Phyllis, que aparentemente estava no estágio final do processo para esquecer Alice. Ainda é cedo para avaliar o relacionamento das duas, mas acredito que ainda vai passar muita água embaixo dessa ponte.

Infelizmente o desfecho de Max (Daniela Sea) foi fraco. Depois de pedir demissão do seu último emprego por implicância e homofobia de seus colegas de trabalho, ele resolveu que era hora de cuidar do próprio negócio e alavancar o site de relacionamento de Alice, o OurChart. Abrindo um parênteses aqui, deixo registrado como a Daniela Sea é uma das minhas atrizes preferidas na série. Interpretar uma personagem em pleno processo de trangenitalização não é fácil, as emoções e desafios são absurdos e, dessa forma, merecia um destaque maior, até mesmo um prêmio pela sua atuação na série.

O melhor eu deixei pro final, pois foi a história que mais me motivou a escrever este texto. Tina e Bette: viveram juntas durante oito anos, dividiram emoções, tristezas, aflições, preconceitos, entre outras dificuldades juntas, toda aquela bagagem de um relacionamento. A tentativa falida de Tina ao entrar numa relação heterossexual prova como ela ainda é muito ligada à Bette e como deixá-la partir foi o maior erro da sua vida. Por outro lado, Bette, cada vez mais apaixonadíssima por Jodi (Marlee Matlin), não percebe a tentativa desesperada de reaproximação de Tina, acredita que a mamãe T. de Angelica (Olivia Windbiel) está ao seu lado simplesmente por altruísmo e consideração. Kate (Annabella Sciorra) é apenas um passatempo frustrado de Tina, que tenta com todas as suas forças recuperar o grande amor da sua vida. Infelizmente Bette só tem olhos para Jodi (que deixou a ex-colega de trabalho em Los Angeles quando aceitou uma proposta de trabalho em outra cidade).

Agora por que deixei isso para o final? Simples: não vou ficar falando de como me identifiquei com a história de Bette e Tina, pois acabaria saindo do trilho aqui, ou seja, não faria muito sentido. Mas não posso deixar de ser empírico e preciso colocar a minha experiência de vida para explicar. Tina percebeu a burrada, Bette seguiu em frente, mesmo nutrindo um amor adormecido pela ex-parceira. Jodi é a metade perfeita para a mamãe B. e, dessa maneira, Tina está nadando contra a maré, ajudando a amada a reconquistar a paixão atual, na tentativa patética de recuperar esse amor do passado. Todo mundo enxerga que é tarde demais, que Jodi e Bette possuem uma ligação fortíssima e, depois do desfecho do casal, dá até pena lembrar que Tina ainda mantém acesa a esperança de voltar a dividir a vida com aquela que um dia a mandou passear.

Com a ajuda de Shane e Alice, Bette armou o presente perfeito para surpreender Jodi e trazê-la de volta à sua vida. Um letreiro gigante com os dizeres "17 reasons why" (que traduzindo grotescamente, seria algo como '17 razões porquê'), foi montado numa armação de metal e levado por um trator até Jodi, que adorou o presente. E por que isso mexeu com Jodi? Um dia, ao passar por esse letreiro (que Bette roubou com a ajuda das amigas), a artista plástica ficou encantada e comentou o fato com a reitora da Universidade, que num surto criativo, teve o timing exato para surpreender a amada e fechar o episódio com um beijo cheio de sentimentos.

17 reasons why

A 5ª temporada promete. Poderia baixá-la, mas por motivos místicos, "The L Word" é a única série que espero anualmente, cheio de ansiedade, para acompanhar pela Warner Channel. Até o ano que vem!

Assunto(s): Opinião, Reviews
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COMENTÁRIOS VIA SITE:
  1. rafaella disse:

    poxa queria muito os dvds dessa serie aguem pode me ajudar onde eu possa encontrar!!!

  2. Bruna disse:

    Qual a musica que toca no final dessa cena quando Bette e Jodi se beijam? Alguém sabe?

  3. fabi disse:

    bruna a música é “dear mr. president” da pink.
    Vlw!!!!!

  4. Luiza disse:

    Lí seu post só agora e achei perfeito, mesmo porque terminei de assistir a série faz um mês então estou por dentro.

    Você não pecou até chegar na parte de Bette e Tina. Eu realmente acho que quem fez a burrada foi a Bette e ela pagou todos os erros dela, e a Tina foi totalmente certa nisso tudo.
    Gosto de ambas da mesma maneira, vejo o lado da Bette com suas fraquezas que foram mais demonstradas até o termino da série, e acho que nada justifica traição. Quanto a Tina, ela deu uma chance a Bette depois que elas terminaram, e pelo que eu percebi não foi facil pra ela conviver com uma pessoa que a traiu, e eu mesmo sendo lésbica e batendo de frente com todas as minhas amigas que acharam um absurdo ela ficar com o Henry, eu não achei nada demais, ela só estava frustrada e com toda a razão e tentou um novo tipo de relacionamento, que não deu certo.

    Gostei do final da série, mesmo a Bette ficanco com a Tina. Amo a Bette mas a Tina realmente é muito mais madura que ela no quesito companheirismo, amor, e assuntos de relacionamento, e acho que ela deveria ter encontrado alguém bacana que fosse parecida com ela e a Bette deveria ter ficado com a Jodi porque tinham tudo a ver, e formavam um casal lindo.

    beijos

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Sobre Pablo Biglia

Paranaense de coração, idolatra os seriados desde 1995, quando seu guilty pleasure era "Power Rangers". Viciado sempre em "Friends" e "Seinfeld". Hoje é fã fiel de "Orphan Black", "Scorpion", "Scandal", "The Big Bang Theory", "How To Get Away With Murder", "RuPaul's Drag Race" e Project Runway. No Twitter: @mr_biglia. Foi contra o golpe de 2016!